Meus indicadores impulsionam meu negócio?

Ser rápido não é mais suficiente.

As novas práticas de gestão que eram sucesso no século XX podem estar obsoletas nas primeiras décadas do século XXI. As práticas de sucesso de agora podem ficar obsoletas até o fim de 2019. Essa velocidade causa surpresa? Pois é, não deveria causar surpresa, e sim preocupação.

COMO VAMOS NOS PREPARAR? A velocidade da transformação digital dos negócios pode demandar a mesma velocidade nas práticas de gestão para termos sucesso. Se para nós esta preocupação é surpresa, não houve surpresa nos resultados da Pesquisa Anual Global de CEOs da PwC, realizada entre setembro e novembro de 2018 com 1.378 executivos-chefes em mais de 90 territórios sobre o clima de negócios global para 2019. Eles já estão cientes da velocidade da mudança e umas das preocupações citadas pelos CEOs é sobre os problemas com suas próprias capacidades, principalmente em termos de gestão de dados, talento analítico e baixa confiabilidade dos dados, com uma enorme lacuna que permanece por 10 anos.

PWC, 22nd Annual Global CEO Survey

É muito importante interpretarmos o gráfico apresentado acima na pesquisa. Vemos que há um gap muito grande entre a importância das informações e a abrangência dos dados. Ou seja, a base dados para existente nas empresas é frágil, o que exige que a maioria decisões sejam tomadas devido a experiência ou feeling. Conforme relato dos CEOs este gap não alterou nos últimos 10 anos.

Frente a preocupação evidenciada na pesquisa temos que pensar:

  • Estamos fazendo gestão dos nossos dados?
  • Os Indicadores estão ajudando a impulsionar meu negócio?

Uma ação comum estre os gestores das empresas é criar planilhas, controles e registros. Muitos registros de forma isolada. Sem brincadeiras, como exemplo, é possível termos empresas onde há o registro do operador de máquina, a planilha de controle do coordenador da área, a planilha de controle do Gerente da área, a planilha de controle da programação, a planilha de controle da qualidade … Junta todas as planilhas e muitas são para coletar a mesma informação, porém para atender a área que a criou. Parece um filme de comédia, mas não é. Para finalizar, após todas estas atividades executadas, todo início de mês é reunido um grupo específico de colaboradores para reunir as informações e entregar os Indicadores de desempenho do negócio (normalmente atrasados e refeitos pois há dúvidas nos resultados). E segue a atividade laboral!

A preocupação com a gestão de dados relatada na pesquisa da Pwc é grande, e pode ser refletida no exemplo citado. Sem dados limpos, relevantes e rotulados, as organizações ficam frustradas em seus esforços de crescimento, podendo ter impactos significativos em seus negócios nos próximos anos.

Onde há indícios que os dados são tratados como citado acima é importante questionar como a organização está fazendo a gestão dos dados e seus respectivos Indicadores. Revisar como são levantados. Se é aplicada uma inteligência artificial no tratamento dos dados e como eles estão alinhados às estratégias do negócio. Se há dificuldades em encontrar uma solução eficiente, não é errado buscar ajuda para definir rapidamente um método eficiente para coletar, limpar e rotular os dados.

Precisamos ter Indicadores que representem a realidade do nosso negócio e acima de tudo alinhados as estratégias da empresa. Devem ser confiáveis e mostrar como a negócio está se comportando de forma atualizada e, sempre que possível, utilizando referenciais externos para situar o negócio no mercado. Não podemos saber no dia 25 que não iremos fechar a meta de venda do mês ou o lucro previsto não será atingido.

Todas as áreas devem ter o mesmo norte de onde está a informação e quem é responsável por fornecer. Não pode haver diversas fontes para a mesma informação, ou diferentes informações para o mesmo assunto. O negócio deve tratar a gestão de dados como estratégica, com uma inteligência artificial eficiente e confiável para gerar Indicadores que torne a empresa competitiva.

Se não for possível fazer nada com um indicador, não faz sentido ele existir!

Roberto Job é consultor na Qualytool Consulting Group. Engenheiro Mecânico com MBA em Gestão Empresarial pela FGV, pós-graduação em Engenharia Automotiva UCS/USP, pós-graduação em Gestão de Inovação em Produto e Processo e pós-graduação em Gestão de Produção. Especialista em projetos de otimização de produtos (Engenharia do Valor) e processos de manufatura (ênfase na utilização em ferramentas Lean e conceitos da Indústria 4.0. Trabalhou por mais de 15 anos no Desenvolvimento de Produtos e Gerenciamento de Projetos em empresas do ramo automotivo.

Deixe um comentário